sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

I. Culto ao Sagrado Feminino: Introdução

Representação da deusa Gaia do panteão grego e de uma deusa Mãe de origem celta em um altar.


Existem diversas formas de culto ao Sagrado Feminino, mas vou explicar do meu próprio ponto de vista, que é Universalista e é como eu o entendo e pratico. Primeiramente devo esclarecer que o culto ao Sagrado Feminino não deve se confundir com a Bruxaria, pois a Bruxaria abrange muito mais práticas e pode ou não ter seu foco para este tipo de culto, embora possa-se dizer que é uma forma de Bruxaria, ela não representa o seu todo e eu o entendo como uma das formas de se praticar o Xamanismo, senão uma das essenciais.


Introdução Histórica

Da minha interpretação e estudos eu compreendo o Sagrado Feminino como um culto que surge na atualidade para um resgate, ou um acerto Kármico no Planeta Terra. No passado sabemos que houveram sociedades Matrifocais, Matriarcais, diversas formas de culto à Deusa, no entanto, como sempre digo, o caminho é rumo à evolução, então não basta nós simplesmente tornarmos ao passado, senão ignoraremos muito do que adquirimos em consciência nos últimos milênios. Mesmo nas sociedades que cultuavam as deusas ainda haviam guerras, ainda haviam distorções de um ser humano que iniciou sua jornada neste planeta quase totalmente instintivo, como um animal, este lado animal do ser humano é sagrado, faz parte da sua humanidade, de sua integralidade e deve ser aceito também, mas ao longo de nossa existência desenvolvemos uma consciência para além do instinto, isto cientificamente falando, não é especulação!

Como seres totalmente instintivos, por questão de sobrevivência havia harmonia com a natureza e, por conseguinte, reverência. Quando o ser passa a desenvolver maior consciência de si e racionalizar ele passa a se acreditar superior à natureza, que antes era aquela Mãe que o sustentava, o nutria, o abrigava e provia a todas as suas necessidades, era a grande razão de sua ínfima existência. Sendo o racional entendido como o Princípio Masculino e o instintivo-emocional como Princípio Feminino, começa aí a história da nossa “dívida”, na verdade o racional era algo necessário para o nosso desenvolvimento consciente de si e posteriormente de Deus (ou suas divindades), mas fomos de um extremo a outro subjugando, a princípio, a natureza e em seguida, as mulheres, os seres humanos de gênero ou biologia feminina.


Introdução à Prática Atual

Feita esta introdução histórica, vamos à prática atual... Hoje o culto ao Sagrado Feminino visa primeiramente trazer cura emocional e física a muitas mulheres que sofrem com o patriarcado e a supressão do feminino, por isto muito se confunde o mesmo com Terapia Holística, já que é primeiramente uma prática terapêutica. Também é voltado a uma maior consciência ecológica para curar a supressão da Natureza, que seria o Princípio Feminino natural, o macrocosmo que reflete no microcosmo. Curando as mulheres curaremos a natureza e curando a natureza curaremos as mulheres, e até mesmo a humanidade, já que princípios Feminino e Masculino estão em todos os seres, mas na maioria deles o suprimido é o Feminino, enquanto que o Masculino está exacerbado, ultrapassando os limites do equilíbrio do ser.


Todo o Poder está dentro de nós... Os Arquétipos

Dentro destas práticas estão o culto e a prática de magia com deusas arquetípicas de tradições diversas, muitas com aspectos humanizados. Nós, os seres humanos somos os descendentes dos deuses, vejam que diversas tradições nos trazem a informação de que seus deuses habitaram a Terra, o que evidencia isto como uma possível verdade, se você tiver isto como verdade entenderá que muitas das deusas de tradições diversas podem estar geneticamente ligadas a você pelas suas vidas passadas, as deusas são a nossa ancestralidade (assim como os deuses), e numa reflexão mais profunda aonde acredita-se que somos todos poeiras de estrelas que evoluíram desde a explosão da Criação (o tal Big-Bang), TODOS estamos conectados geneticamente, e provavelmente trazemos em nossos genes toda a história da humanidade... Muita informação, né?

Simplificando, estamos todos conectados por memórias ancestrais (algumas tradições chamam de Akasha) e somos todos descendentes dos deuses e deusas, de TODOS eles, muito embora um ou outro se sobressaia, mas ainda não quero aprofundar nesta parte. Seguindo... Com a supressão da natureza e do Princípio Feminino as mulheres, principalmente, ficaram assim “incompletas”, com diversos desequilíbrios, traumas e bloqueios devido à supressão de diversos aspectos de si mesmas (ou das deusas), estes aspectos são o que a Psicologia Junguiana trata por Arquétipos (não que isto seja propriedade de Jung, mas utiliza-se amplamente esta nomenclatura). Quase todas as religiões que cultuam deuses (Politeístas, Mono-panteístas, Panteístas...) trazem neles alguns Arquétipos, o exemplo mais comum é o tríplice (Jovem, Mãe/Pai, Anciões), mas existem muitos mais, assim como a nossa vida também não se limita a apenas sermos jovens, mães e pais, ou velhos, existem nuances em torno disto como o arquétipo Guerreiro, Amante, e até mesmo o da Sombra, então daí já entende-se que não acreditamos no conceito de “pecado” cristão, ou na ideia cristã de “inferno” e nem em um ser supremo oposto ao bem, o tal “diabo”, pois acreditamos na integralidade do ser na sua humanidade, e na sua dualidade que é luz, mas também é sombra, e isto não nos torna ruins, na verdade nos dá a liberdade de sermos conforme somos e sentimos, e também a responsabilidade sobre as consequências de nossos atos negativos, sem que estes sejam atribuídos a uma entidade do mal, daí a importância do equilíbrio de todas estas faces, pois uma pessoa não poderia se defender do mal do mundo sendo apenas “bonzinho” o tempo todo, por exemplo.


Objetivos da Prática Contemporânea

O culto ao Sagrado Feminino contemporâneo então, numa reflexão mais profunda, tem por objetivo, integrar, por meio de rituais, na psique e na alma feminina (ou masculina também) de volta a totalidade de seu Poder, é isto a que muito se chama de “Empoderamento” um conceito do Feminismo que foi de certa forma apropriado por praticantes do culto ao Sagrado Feminino. Sendo assim, a prática frequente dos rituais traz o reequilíbrio da mulher na sua integralidade, trazendo para dentro de si mesma as deusas suprimidas do passado (que são ao mesmo tempo todo o emocional-intuitivo do ser humano suprimido pela racionalização exagerada da atualidade), a Jovem que nos ensina a termos pureza e espontaneidade, a Amante que nos ensina a lidar com nossa sexualidade e sensualidade, a Mãe que nos ensina a acolher e cuidar, a Guerreira que nos ensina a nos defender e lutar por nossos objetivos, a Velha que nos ensina a sabedoria do tempo, a Sombra que nos ensina a trazer luz para a nossa escuridão interior e aceitar nosso lado mais oculto, e assim por diante...

E no momento em que as mulheres começam a acolher estas deusas dentro de si, elas se voltam à natureza mais instintiva do ser humano, aquela mesma do início do texto, no início da história aonde o ser vivia em harmonia com o planeta Terra, sua fauna, flora, e seus ciclos, por sobrevivência, e agora que adquire consciência e equilíbrio, com reverência consciente, pois agora é consciente dos deuses tanto dentro como fora de si.


Semelhanças e Diferenças Rituais e Religiosas

Vejam que os rituais do Sagrado Feminino servem para curar, equilibrar e reintegrar algo que já nos pertence, diferente de práticas de Bruxaria que visam fins dos mais diversos, tanto para o bem, como para o mal, a depender do caráter daquele que a pratica, muitas vezes são para para obter vantagens e bens materiais, mas a pessoa que pratica o culto ao Sagrado Feminino não precisa se preocupar com isto, pois quando estiver íntegra e em harmonia tudo o que lhe pertence chegará até você. Se a pessoa estiver sofrendo por amor, esta deve se integrar e se conectar ao arquétipo Amante em vez de fazer um ritual no intuito de “amarrar” alguém, ou até mesmo de encontrar um novo amor (que pode ser um ritual inofensivo), mas mais vale você SER a expressão do amor, que a própria expansão de sua energia atrairá pessoas de vibrações afins que também estão expressando o verdadeiro amor.

Ainda podemos perceber uma afinidade sutil com a religião de Umbanda no sentido de que alguns dos Arquétipos podem ser semelhantes e possuem algo a nos ensinar, mas temos que a missão da Umbanda nesse sentido é integrar o ser em sua totalidade, e já a do culto ao Sagrado Feminino é a de reequilibrar os pólos Feminino e Masculino do Planeta Terra por meio da cura do Princípio Feminino suprimido, nas mulheres, na humanidade e na natureza, assim fazendo também um resgate kármico da humanidade pelo patriarcado.


Leia mais sobre o Sagrado Feminino:

Sagrado Feminino: O Chamado da Deusa


Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

V. Xamanismo Africano

Imagem: Registro encontrado no "Google Imagens" de um ritual nativo africano com Iboga.

O Xamanismo mais difundido na atualidade é o Ameríndio, devido às nossas influências mais marcantes regionais, mas um Xamanismo bastante praticado, mas pouco relacionado como tal, é o Xamanismo Africano.

Podemos conceituar como Xamânicos os principais cultos à natureza, suas formas de comunhão com a mesma, sua sacralização e suas magias. Sendo assim, até mesmo os cultos egípcios podem ser considerados Xamânicos, pois tinham nos seus deuses de culto a função de regentes das forças da natureza e que se confundem à própria natureza em si (exemplos: Geb - Terra, Nut - Céu, Ísis - Natureza e em especial o Rio Nilo, Osíris - Vegetais, etc), especialmente Ísis, ou originalmente Aset, foi cultuada amplamente como a Grande Mãe da humanidade, a Mãe Natureza. Aos seus deuses confiavam a fertilidade da Terra e os destinos dos seres através de rituais frequentes. Hoje, no Brasil e provavelmente em outras partes do mundo também, ainda são cultuados em grupos considerados pagãos ou de Bruxaria.

O culto mais comum de origem africana na atualidade é o culto aos Orixás, que teve seu surgimento no Brasil durante o período da escravatura, e que trouxe junto com os negros africanos sua cultura e tradição. Sua popularidade fica marcada com o surgimento de duas religiões distintas: A Umbanda e o Candomblé, ambos são sistemas de culto aos Orixás e/ou Nkises (as divindades), mas principalmente a Umbanda surge como uma recriação do Xamanismo Africano com uma liturgia Universalista, que incluiu o Xamanismo Brasileiro, ou Caboclo, e também religiões como o recente Espiritismo (do francês Allan Kardec) e o próprio Catolicismo praticado no Brasil. Mostrando a que veio, como uma boa religião da Nova Era, unificando raças e credos e se fundamentando principalmente na caridade e no atendimento aos mais necessitados.

Existem formas diversas de culto aos Orixás, prova disto é a discrepância encontrada entre uma religião e outra e mesmo em vertentes de uma mesma religião, mas na realidade o que de fato muda é o sistema ritual aplicado, que se adequa a melhor compreensão de um ou de outro, assim tornando todas as formas válidas e legitimas quando praticadas para o bem e para benefício comum.

Os chamados Cultos de Nação africanos são então tipos de Xamanismo Ancestral ou Tradicional quando praticados preservando-se as tradições rituais da maneira como eram praticadas nas tribos da África, no entanto pode ser considerada também legítima a sua prática tendo por referência as religiões que dele se originaram, pela razão de que o Xamanismo enquanto fenômeno espiritual-religioso é livre de dogmas, e em solo brasileiro as referências mais acessíveis são estas, as brasileiras. Hoje também cultua-se os Orixás em grupos que se denominam Pagãos ou de Bruxaria. 

Na África, a quantidade de Orixás cultuados é imensa, lembrando que geralmente cada tribo cultuava apenas um ou mais que estivessem relacionados com sua ancestralidade familiar e/ou região. No Brasil cultua-se principalmente de 7 a 16 Orixás diferentes sincretizados na Umbanda com Santos Católicos (exemplo: Yemanjá – Nossa Senhora dos Navegantes, Ogum - São Jorge ou São Miguel, Oxóssi - São Sebastião). Havia ainda na África o culto separado a Egungun, que se tratava do culto aos espíritos ancestrais (ou dos mortos), o que pode ter influenciado também a presença de espíritos de velhos negros (Pretos Velhos) incorporados na Umbanda e no Candomblé, assim como a de outras linhas de espíritos-guias.

Vale lembrar ainda que a África, segundo estudos de historiadores e cientistas, é considerada como o “berço da humanidade”, ou seja, acredita-se que a vida humana no planeta Terra tenha tido seu início em solo africano, o que valida mais ainda o culto a suas divindades da natureza, independentemente do nome que possamos atribuir às mesmas. Nota-se grande semelhança ainda entre os cultos africanos aos Orixás e os cultos Hindús aos chamados “Devas”, ainda a sua teologia é semelhante, pois ambos consideram um Deus único que se manifesta a partir de suas divindades, portanto não são politeístas como se afirma erroneamente, mas têm por crença um tipo de monoteísmo que podemos chamar de Mono-panteísmo, ou seja, a crença em um Deus sobre vários deuses que se confundem com a própria natureza, a ideia de que tudo é Deus, mas que esse “tudo” não se confunde com este “Um”, que é soberano.


Plantas de Poder

Sabemos a princípio que a Cannabis possui origem árabe, mas também africana, e foi por meio do intercâmbio com os escravos no Brasil colonial que ela chegou até nós principalmente pela nação de Angola, segundo estudos, ficou conhecida por “Djamba”, ou “Cânhamo” no dialeto quimbundo, existe inclusive a especulação de que a palavra Maconha deriva de “Ma Konia”, ou “Mãe Divina”, também no mesmo dialeto. Diz-se ainda que era usada principalmente no culto a Egungun, e por isto associa-se a mesma ao orixá Oyá (ou Yansã, para a Umbanda), pois esta teria o domínio sobre os Eguns, também existe uma associação da mesma com o Orixá Exu por suas propriedades afrodisíacas tendo que Exu rege também o sexo, e possivelmente por Exu possuir certo domínio também sobre os Eguns, ou espíritos de mortos.

Foram encontrados também vestígios e evidências entre os Egípcios do uso da Cannabis, e de outras plantas enteogênicas ingeridas na forma de uma beberagem sagrada, tal como a Ayahuasca, mas não sei dizer se com o mesmo princípio ativo.

Apesar de não estar localizada no continente africano é impossível falar de Cannabis sem mencionar o culto Rastafari, que surgiu na Jamaica, os Rastafari fazem o uso ritual da Cannabis que pode ser considerada uma prática Xamânica de origem africana, mas estes possuem crenças Cristãs que se misturam a seu culto.

Existem também evidências do uso da planta Datura (conhecida popularmente como Trombeta, no Brasil) tanto em banhos, como a sua ingestão em cultos nativos africanos, e de Candomblé.

Por fim, vem se popularizando atualmente o uso da Iboga, uma raíz que ingerida ritualisticamente produz um estado de transe longo, geralmente diz-se que de 3 dias aproximadamente, ela vem sendo procurada pelas pessoas de fora do meio tribal e em países diversos por conta de sua eficácia na desintoxicação de dependentes químicos, infelizmente a substância é ainda proibida em diversos países como os EUA, no entanto já existem casos de cura registrados até mesmo em documentários. No Brasil a substância não é proibida, de acordo com a Anvisa, apenas não possui nenhuma regulamentação, diferente do caso da Ayahuasca que possui regulamentação apenas para utilização religiosa. Já existem clínicas em países como Brasil, Canadá e México especializadas no tratamento com Ibogaína para dependência química. Segundo a Anvisa, a importação, desde que seja para uso pessoal e amparada pela prescrição de um médico, é legalizada. Assim como o uso da raiz em infusão na água quente. A problemática do uso terapêutico já era prevista e imaginada, os tratamentos custam em torno de 7 a 9 mil reais no Brasil, impossibilitando o tratamento de pessoas mais necessitadas.


Leia mais sobre o Xamanismo:

I. Introdução Geral ao Xamanismo 

II. Xamanismo e Bruxaria
III. Sagrado Xamanismo
IV. Estilo de Vida Xamânico
Xamanismo: Perguntas Frequentes



Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Xamanismo: Perguntas Frequentes 1

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1. Xamanismo é religião?
Resposta: Não no sentido doutrinário, sistêmico. E sim no sentido de "religare" (re-ligação com o Divino). No aspecto doutrinário existem algumas religiões que podem ser consideradas essencialmente, ou fundamentalmente Xamânicas, como o Santo Daime, a Barquinha e grande parte das Ayahuasqueiras, porque tiveram sua origem a partir de cultos indígenas e caboclos. No entanto, existem também religiões que não se fundamentam ou se originaram do Xamanismo, porém absorveram algumas práticas Xamânicas, estas são a maioria das religiões existentes hoje, podemos citar como exemplo: Umbanda, Hinduísmo, etc.

2. Xamanismo é, então, o culto dos indígenas?
Resposta: Sim, mas não somente deles, dos nativos de todas as regiões, a partir dos primeiros seres humanos e das suas primeiras práticas de devoção e comunhão com o Divino.

3. Todo Xamã/Xamanista consagra Ayahuasca?
Resposta: Não, a Ayahuasca é o resultado da união de duas Plantas de Poder nativas de solo brasileiro, amazônia peruana e proximidades (América Latina), cada região possui suas Plantas de Poder nativas, por exemplo: Cannabis (nativa da região Árabe e Africana), Peyote (nativa da América do Norte) e assim por diante.

4. Todo Xamã/Xamanista consagra ou deve consagrar Enteógenos (Plantas de Poder)?
Resposta: A maioria deles, fica impossível responder por todos em definitivo, mas sei de uma sacerdotisa dita Xamã de origem russa que não consagra nenhuma medicina e só trabalha com tambores, mantras, etc. Porém isto é moderno, pois sabe-se da utilização de enteógenos por parte dos Xamãs russos no passado, ou seja, mesmo que os modernos optem por não consagrar, sua ancestralidade consagrou e fez parte de sua história. Não vou dizer que é extremamente necessário, pois na atualidade existem pessoas trabalhando o Xamanismo sem nenhuma substância expansora de consciência, trabalhando a expansão por meio dos toques de tambor, o que é válido, mas considero extremamente importante para o Xamanista o conhecimento e a experiência com as Plantas de Poder, mesmo que após este opte por não utilizá-las em suas práticas.

5. Quem consagra Ayahuasca é Xamã?
Resposta: Não, é Xamanista, mas apenas se este faz desta consagração um hábito religioso e não algo esporádico, para se considerar Xamanista é preciso que os ritos façam parte de sua fé e sua vivência no dia-a-dia. Já o Xamã é uma figura excepcional dotada de poderes e mediunidade, e que passou por ritos iniciáticos fortíssimos, um sacerdote dedicado a curas e magias, o que temos hoje em dia (fora do contexto de tribo) são alguns Neo-Xamãs, entretanto a maioria que diz que é, na verdade não o é.

6. Existe curso para se tornar Xamã?
Resposta: Existem cursos que vendem esta ideia, porém não é nem um pouco legítimo haja vista o Xamã ser um escolhido pela própria natureza.

7. O Xamanismo é uma Terapia Holística?
Resposta: Não, algumas de suas práticas servem à modalidades de terapias holísticas, porém o Xamanismo enquanto fenômeno religioso-espiritual não pode ser considerado uma terapia no sentido profissional da palavra, pois é "ato de fé" e suas curas são fundamentadas na fé. No entanto ele é holístico, no sentido de integrativo.


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