segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Nome Espiritual e Nome Mágico

Quem realmente somos?

Quase toda a humanidade vive um conflito interno comum já há um longo tempo, que se resume em "Quem realmente somos?", "Quem queremos ser?" e ainda o "Quem deveríamos ser?".

O nome é uma chave importante para um buscador em seu processo de autoconhecimento. No ocidente as pessoas têm o hábito de escolher nomes "a toa", é comum quando se pergunta aos pais porque nos deram determinado nome que estes respondam "porque eu achei bonito", ou pior "porque era o nome da fulaninha da novela", rs... Tudo bem, tudo têm uma razão de ser, até isto, senão não teríamos nascido no ocidente e nem com estes pais.

No oriente os nomes já têm um significado mais profundo, geralmente o primeiro nome (quando a criança nasce) é dado pelos pais ou pelo Guru da família, mas mesmo dado pelos pais, sempre é um nome com um significado auspicioso para trazer boa sorte, prosperidade, etc. Assim que as crianças nascem é de praxe levá-las até gurus e sábios para fazer consultas, mapas astrológicos e especular sobre qual será o futuro daquela criança, quando chegam na idade do rito de passagem entre criança e adulto (não se dá muita atenção para o intermediário "adolescente" como no ocidente), geralmente recebem um nome novo, um segundo nome que geralmente é dado pelo Guru escolhido pela própria pessoa como seu Mestre Espiritual, este nome chamamos de Nome Espiritual.

Os indígenas também possuem a tradição de nomes espirituais, geralmente seu nome diz sobre o que você faz, mas nas tradições indígenas o que nós fazemos não é uma ocupação formal, social para ganhar dinheiro como é em nossa sociedade urbana, o que cada um faz é muito importante e essencial para manter a "teia" da tribo, cada um cumprindo seu papel, que quase sempre está ligado aos verdadeiros dons de cada um. Uma curiosidade é que na tradição Guarani brasileira (ao menos a que eu conheço) os bebês não recebem nome quando nascem, são chamados de algo equivalente a "neném" até que completem um ano, quando se dá o seu batismo pelo Pajé (também chamado de Padrinho) da tribo. Eles têm muitos nomes iguais, segundo eles o seu nome representa de onde o seu espírito veio (esta é uma pergunta que o Pajé faz cantando e recebe do Grande Espírito a resposta, o nome), e qual a sua missão de vida. Eu tive a honra de passar por um batismo Guarani na Aldeia Tekoa Pyau (São Paulo, SP) há uns anos atrás, e recebi a benção do nome Kerexu Mirim (Pequena Matriarca), os índios disseram que eu seria uma mulher que teria muitos filhos ou que seria uma pessoa que acolheria a muitos como uma mãe, o que reforçou a fé na minha missão espiritual.

O Nome Espiritual é um nome sempre recebido, seja por um Mestre/Guru encarnado, seja por Mentores ou Guias Espirituais, o fato de que o nome seja recebido não significa que este nome foi-lhe dado neste momento, este nome pode sim representar a sua essência espiritual (alma) e por isto por vezes é em línguas/dialetos antiquíssimos ou até mesmo desconhecidos, a depender da origem de nossa essência espiritual, fato de que temos pouco conhecimento ainda, mas atualmente especula-se seja extraterrestre.


Nomes espirituais não pedem nenhum sigilo pois eles nos apresentam não somente ao espiritual, mas também a sociedade em nosso novo status, por isso é geralmente utilizado por sacerdotes, monges e pessoas que escolhem renunciar a vida material para viver integralmente seu status de essência espiritual, integrando-se  a esta identidade a fim de abraçar por definitivo a missão espiritual.
A admissão de um nome espiritual publicamente significa a morte para a vida comum (até mesmo familiar, pois o nome de registro vem da família biológica) e o renascimento para a vida espiritual, que é a vida eterna, onde nossa família se torna a grande família cósmica, ou seja, todos os seres que existem.
Atualmente há pessoas recebendo nomes espirituais de forma intuitiva, mais do que antigamente, acredito, especialmente pela abertura espiritual que vem se dando pela comunhão com as Plantas de Poder, e também provavelmente por conta da transição do nosso planeta, por isso a importância de falar sobre este assunto, pois em algumas tradições (hindus, por exemplo) mais rígidas você só pode receber o nome do seu Mestre Espiritual encarnado, ou se intuir, somente este Mestre pode confirmar e validar o nome.

Sri Prem Baba diz sobre o assunto: “Você não é um nome. A divina presença não pode ser classificada por um nome, mas para auxiliar no ancoramento da lembrança de si mesmo, às vezes, você recebe um nome que lhe é dado para que essa presença divina se manifeste através de você. Esse nome tem o poder de um mantra; é uma forma de evocar a divina presença que habita no seu corpo. Mas, o ego pode facilmente se apropriar disso e você pode se envaidecer. Portanto, para que o nome espiritual seja um instrumento de desenvolvimento espiritual, ele deve ser dado pelo seu Mestre, pois ele sabe qual é o momento certo para isso; ele sabe quando você está pronto para usar essa chave. Em algumas situações, o devoto intui um nome, mas somente o Mestre espiritual pode validá-lo; somente o Mestre pode lhe dar esse presente, a fim de evitar algum prejuízo na sua evolução e para evitar que haja uma cisão ainda maior na sua personalidade.” (Flor do Dia - 19/08/2013)

Eu concordo em partes, esta rigidez ainda serve para direcionar as pessoas e evitar equívocos, ocorre que em tempos de despertar isto vem aos poucos se tornando defasado, pois o acesso ao que chamamos Mestre Interior (Eu Superior, Divina Presença, etc) está ficando cada vez mais claro, as pessoas precisam cada vez menos de Mestres e Doutrinas, pois estão aprendendo a se guiarem e estão conhecendo a sua natureza espiritual.


Há ainda outra questão, nem sempre o nome recebido é o seu nome espiritual em definitivo, muitas vezes este nome é apenas o nome que você precisa nesta fase da sua vida para ancorar determinadas energias, assim como quando uma pessoa escolhe um nome mágico.

O Nome Mágico é um nome intuído, recebido ou escolhido propositalmente (busca-se significados, numerologia, etc) a fim de trazer determinada energia para a vida da pessoa, é mais comum entre os praticantes de magia que se denominam Bruxos (pois quase todo mundo pratica magia, seja dentro de uma doutrina ou não). Algumas religiões fundamentadas na bruxaria dizem que o nome mágico deve ser guardado em segredo, visto que outras pessoas poderiam utilizá-lo para lhe atacar, isso faz muito sentido, porque com o seu nome de registro numa "mandinga" já conseguem fazer estragos, imagine com o nome mágico, mas eu acredito que guardar em segredo ou não seja uma questão muito particular do que cada um acredita, e também sempre devemos pensar em meios de nos proteger, a maior proteção neste caso é a ausência de vaidade, quando a pessoa começa a "cantar pelos 4 cantos do mundo" seu nome mágico e contar para muitas pessoas isso pode gerar inveja e incômodo. O que eu recomendaria, particularmente, é você só utiliza-lo quando estiver lidando com a magia, se você tiver um blog ou site, ou se você for um palestrante, ou algo do tipo é natural que precise manter seu nome mágico de certa forma público, então reforce suas proteções.

Bem, através do seu nome de registro (familiar), que também não é por acaso você pode iniciar um caminho de autoconhecimento, você pode procurar pelos significados de cada nome, pode procurar a história da sua família (sobrenome), se você tiver como fazer uma árvore genealógica também seria fantástico (um dia farei uma), há sobrenomes que possuem brasões, os brasões são compostos de imagens e símbolos os quais possuem também significados, e você pode consultar também a numerologia do nome. Com tudo isto você terá uma base dos pontos fortes e fracos em seu nome e poderá refletir sobre o que pode ser melhorado na sua personalidade, excessos e carências, assim como diz o Prem Baba, o nome é como um mantra, imagine que seu nome significa "Sensível", agora imagine que as pessoas passaram a vida inteira te chamando e se referindo a você com este nome, no mínimo você terá sensibilidade em excesso e isso provavelmente irá te atrapalhar. Infelizmente é burocrático mudar o nome de registro, e na verdade nem é tão necessário, já que a sua essência integra tudo o que é o seu ser, passado, presente e futuro, mas pode-se mudar alguma letra, alguma coisinha, ou usar mais um sobrenome do que outro nos usos mais comuns (redes sociais, etc) a fim de tentar corrigir alguma coisa, eu por exemplo, após quase uma vida inteira utilizando mais o sobrenome do meu pai, recentemente optei usar nas redes sociais (em segundo plano, em primeiro está meu nome espiritual) o sobrenome da família da minha mãe, em honra a minha ancestralidade feminina, apesar de vir também de um pai este sobrenome (o meu avô), são pequenas coisas que corrigem grandes coisas às vezes, neste caso podemos citar a inconsciente negação da mãe e do feminino.

Entendidas as falhas e qualidades do seu nome de registro ou familiar, chegou o momento onde você pode pensar na possibilidade de adotar um nome mágico, porque o nome espiritual, ele vêm quando tem de vir, não conheço outros meios de obtê-lo senão que por iniciação de um Guru nas tradições orientais, lembrando que o nome recebido pode não representar a sua essência espiritual (digo por experiência própria).

Então voltamos lá ao início do post: "Quem deveríamos ser?", esta resposta está no nosso nome de registro, esta pergunta é mais sobre o que nós acreditamos que deveríamos ser, por ser o que nos foi imposto socialmente, então o nome "normal" representa nossa vida comum, social, burocrática e se for a fundo, a nossa vida ilusória. "Quem queremos ser?", aqui entra o seu nome mágico, o que você quer ser? Se você é tímido, você quer ser mais comunicativo provavelmente, e assim vai, aqui é onde você abre as possibilidades de melhorar a sua vida e a sua personalidade e corrigir algumas falhas. Corrigidas as falhas (não tudo, claro, porque neste mundo perfeição não existe) talvez seja o momento da reflexão mais profunda sobre você mesmo "Quem realmente somos?", aí que está o nome da sua essência espiritual, que na verdade nem é muito um "nome", veja o exemplo do Prem Baba (Pai do Amor), é algo que define essencialmente aquilo que somos. Eu Sou Vandana Shakti (Aquela que reverencia o Divino Feminino).


Não se fruste por não obter um nome espiritual tão cedo, tudo há seu momento na vida e entendo que quando não temos ainda este nome é porque temos algo a nos reconciliar com nosso passado na vida terrena para poder assumir a responsabilidade de quem realmente somos que é a Integração, e jamais a negação de nenhuma parte de nós, eu mesma demorei quase 2 anos para assumir este nome publicamente, então não tenham pressa, a pressa nos faz lidar com coisas as quais não temos um bom preparo.

Então prepare-se para se conhecer, estude seu nome de registro, estude sua família, sua ancestralidade e comece a indagar sobre quem você realmente é, somente num caminho de autoconhecimento podemos retomar o contato com a nossa essência espiritual, é sempre pela missão, reflitam sobre isto.


Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário